Pio Matos Diz que Naparamas Podem Fumar Soruma “Desde Que Seja Para Trabalhar na Machamba”
Declarações do governador da Zambézia, Pio Matos, estão a provocar uma onda de indignação e polémica depois de um discurso feito durante um encontro com membros do grupo Naparama que decidiram entregar-se voluntariamente às autoridades.
No evento, que tinha como objetivo promover a reconciliação e a reintegração social, o governante tentou passar uma mensagem de convivência pacífica. Contudo, algumas das suas palavras acabaram por gerar forte controvérsia.
Durante a intervenção, Pio Matos afirmou que fazer parte dos Naparamas não dá automaticamente a alguém autoridade ou direito de ocupar cargos de liderança na sociedade. Segundo ele, a pertença ao grupo não deve ser vista como um passaporte para assumir posições de destaque ou responsabilidades comunitárias.
Entretanto, foi outra parte do discurso que incendiou o debate público. O governador declarou que os membros do grupo poderiam consumir drogas “apenas quando fosse para ir trabalhar na machamba”, desde que isso não estivesse ligado à prática de crimes.
A frase caiu como uma bomba e rapidamente gerou críticas em vários sectores da sociedade, que consideram a declaração perigosa e contraditória com a luta do Estado contra o consumo e tráfico de drogas.
Analistas e cidadãos alertam que palavras ambíguas vindas de figuras públicas podem transmitir mensagens erradas, sobretudo num momento em que o país intensifica operações para travar o avanço dos estupefacientes.
O discurso foi feito durante um acto público de rendição de mais de 150 homens armados no povoado de Quembo, no distrito de Morrumbala. Entre os que se entregaram estavam membros da RENAMO, indivíduos identificados como Naparamas, além de crianças e cerca de 57 mulheres.
Na cerimónia, o governador classificou o momento como um passo importante para o fortalecimento da paz na província da Zambézia, apelando ao abandono da violência e à construção de um ambiente de diálogo.
Apesar da rendição ser vista pelas autoridades como um avanço significativo para a pacificação de Morrumbala, as palavras do governador acabaram por ofuscar o momento e reacender um debate delicado: até que ponto líderes políticos devem medir cuidadosamente as suas declarações quando falam sobre temas sensíveis como drogas, grupos armados e segurança comunitária.
