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Edmilson Sequeira de Jogador Rejeitado à Árbitro Internacional

Por: Chonze José Júnior

Desde o passado dia 5 de Dezembro, a cidade egípcia de Cairo esta sendo palco de mais uma edição da Taça dos Clubes Campeões Africanos de Basquetebol em Séniores Femininos. Onde o país para além de defender o título de campeã africana da modalidade pelo Ferroviário de Maputo conquistado no ano passado no pavilhão do Maxaquene, também encontra-se presente em terras faraónicas o jovem árbitro internacional Edmilson Sequeira, de 25 anos de idade que estreia essa noite apitando o jogo entre Energy do Benin e as anfitriãs Sporting local. E é com o jovem árbitro que a nossa reportagem entrou em contacto numa conversa estilo pergunta-resposta.

Reportagem (R): Quem é Edmilson?

Edmilson (E): Um jovem que árbitro que pretende chegar longe nesta carreira e estudante do terceiro ano de Educação Física e Desportos na actual UniLicungo, delegação da Beira.

R: Conte-nos um pouco a sua história, o que te levou a pensar em ser árbitro?

E: Primeiro comecei como jogador e depois mudei para arbitragem anos depois.

R: O que terá motivado a sua mudança de jogador para arbitragem?

E: Bem, mudei para arbitragem porque quando o treinador espanhol vai ao Ferroviário da Beira, ele era muito de palavras injuriosas e isso abalava-me como jogador e aliado ao pouco tempo de jogo que tinha, deixei de jogar nos meados de 2013.

R: Face a isso, acha que a solução era deixar de jogar o basquete?

E: Bem, eu acreditava em mim mesmo e nas minhas qualidades. Acreditava que poderia ser útil e servir ao basket nacional mesmo sem sendo jogador e foi apartir daí que comecei a apitar jogos treinos e tudo mais e em 2014 decidi apitar a sério.

R: Quando começou a sua curta carreira de jogador de basquete?

E: Tudo começou no Desportivo da Beira em 2007, e depois arrumei ao Ferroviário da Beira em 2010 pela mão do mister Guilamba, e de lá estive até 2013 quando decidi pendurar chuteiras e abraçar outro projeto.

R: Hoje arrepende-se de ter deixado a carreira de jogador?

E: Não, pelo contrário. Como disse antes, queria ser útil no basquete nacional e acredito que hoje sou. Talvez poderia não ter o sucesso que hoje alcanço como árbitro.

R: Quando começou a formação de árbitro?

E: Foi mesmo tempo depois de ter deixado a carreira de jogador, em 2014.

R: Em que ano apitou o seu primeiro nacional sénior?

E: Foi em 2016, aos 22 anos de idade.

R: Voltando para atrás, nascido no bairro da Manga, um bairro sem expressão no basquetebol e talvez sem pavilhão para jogar, como se explica isso?

E: Basta ter foco, objetivo, dedicação e muita humildade tudo é possível. Como disse antes, comecei a jogar no Desportivo da Beira. Saía da Manga para Ponta-Gêa ir treinar diariamente.

R: Qual é a sua maior fonte de inspiração?

E: Inspiro-me no Artur de Castro César Bandeira. É meu maior ídolo.

R: Edmilson, depois de apitar mais um nacional de basquete foste indicado para fazer parte dos eleitos ao Afrobasket de clubes, como te sentes?

E: Sinto-me muito honrado fazer parte desse grupo. Veja que aos 25 anos de idade, já apitei 4 nacionais em masculinos, 3 em femininos um em juvenis e 6 em júniores masculinos e femininos. Agora poder apitar uma competição da FIBA-Africa é gratificante demais.
Veja que faço parte de um grupo restrito de 13 árbitros que vão apitar essa competição e estou na idade mínima exigida para a categoria internacional (25 anos).

R: Como recebeu essa notícia de poder apitar uma prova internacional?

E: Foi com muito agrado e honra. Sou o único moçambicano indicado e um dos três da região austral de África. Enfim, a sensação foi de muita alegria, muita satisfação e ao mesmo tempo muita Honra por poder mostrar as minhas qualidades fora do meu país, fora da minha região, e por poder representar as cores da bandeira nacional numa competição de grande envergadura a nível de clubes no continente.

R: O que podemos esperar do Edmilson nesta competição?

E: O mesmo Edmilson de sempre, um jovem árbitro que quer continuar a aprender e a crescer e que irá mostrar aquilo que traz de Moçambique, o país das actuais campeãs africanas de clubes.

R: Falando em campeãs africanas de clubes, e se tiver a ousadia de apitar o jogo do Ferroviário de Maputo, que Edmilson teremos?

E: O mesmo de sempre, imparcial.

R: Sente-se realizado poder apitar Afrobasket de clubes?

E: Realizado que não mas era um dos meus grandes desejos poder apitar uma prova da FIBA. A nível africano, sonho um dia apitar africano de seleções. Já que sonhar não paga impostos, porque não sonhar em apitar Jogos Olímpicos? Então, será o meu objetivo final.

R: Voltando para atrás, como tem sido percebida a carreira de árbitro de basquete na cidade da Beira?

E: É uma situação complicada porque a competição la é reduzida em relação à Maputo e até a nampula para não dizer Chimoio também mas tenho estado a lutar contra essas adversidades todas e tento sempre estar no meu maior nivel. Tem muitos jovens talentosos na Beira pra serem árbitros.

R: Es único árbitro da Beira nesses últimos nacionais, como sente essa situação?

E: Sinto me feliz por representar a cidade da Beira mas gostaria e quero ver mais árbitros beirenses com a categoria que tenho porque temos muitos e bons talentos.

R: Que conselhos deixa aos mais novos?

E: Que acreditem primeiro em si mesmo ademais que apareçam pessoas a insultar quando estiver a apitar, a te desencorajar, a dizer que não és capaz, acredite primeiro em si, depois procura conselhos dos mais experientes, daqueles que fazem o basquete por amor, ler livro de regras e de interpretações, procurar ver vídeos de jogos e ser muito mais muito humilde. Admitir os erros quando os cometer, saber aceitar críticas que irão ajudar te a melhorar e treinar muito para estar sempre em boa forma física.

R: Pretende deixar uma palavra de apreço ou consideração final?

E: Agradecer a todos que têm me apoiado directa e indirectamente que continuem assim. Aos que confiam em mim e no meu trabalho, que continuem assim e que tudo farei que estiver ao meu alcance para não decepcioná-los. Ao povo moçambicano em geral para não párar de acreditar em mim.

BI
Nome completo: Edmilson Sequeira Roque Lopes
Filiação: Manuel Sequeira Lopes e Ana Paula Bruno de Morais
Data de nascimento: 03 de Maio de 1994
Naturalidade: Cidade da Beira
Província: Sofala

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Editor chefe do Moz Massoko, empreendedor digital, Trabalho também com marketing de afiliados, nos tempos livres gosto de aprofundar os meus conhecimentos sobre internet Marketing. | Website

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